quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A Descoberta do Inconsciente Brasileiro

Pressupostos para uma revolução social e cultural no Brasil

    Por: William Fernandes
 




        Quando a máxima Platônica que explica o saber como sendo a transcendência da razão   num discurso universal (Garcia-Rosa)  se tornou a base para a filosofia ocidental, não previa que  as descobertas Freudianas fossem justamente inverter os papeis atribuídos para a razão (Consciente) e provar que é no Inconsciente que reside a subjetividade que define o indivíduo. Assim, podemos dizer que é o desejo que nos torna humanos; “(...) é negando a Natureza, sobrepondo à vida um valor maior do que ela, que o indivíduo se constitui como humano.” (Freud e o Inconsciente, p. 16).  Contudo, não basta  que surja o desejo, é necessário que esse desejo se volte para um objeto não natural e então a pessoa passa de um “sentimento de si” para uma “consciência de si mesmo”.

      É por esse desejo, pela vontade de alcançar valores não naturais que acredito poder haver uma revolução sociocultural no Brasil.

       Historicamente podemos dizer que oque prevaleceu nas colônias de extração que formaram as bases para o que viria ser a nação como a conhecemos hoje, foi vencer a natureza, se adaptar ou destruí-la e dela “extrair”: abrigo, comida, riqueza. Essa situação difere bastante das colônias que se fixaram nas regiões ao norte da América; estavam motivados a recriar seus lares como em suas terras de origem: o desejo era nostálgico, romântico. Era maior do que os desafios naturais que precisavam vencer.

       Uma mudança radical nas motivações que determinam os desejos do brasileiro pode revolucionar toda uma forma de fazer e de querer e,  portando,  mudar  o que se faz e o que se quer. Estimular o criar, mas não só para vender; o trabalho, mas não só para pagar contas; o estudar, mas não só para “passar” ou “pegar melhor cargo”. Não ter medo e nem vergonha de ser Macunaíma  e desenvolver um olhar crítico sobre Zé Carioca e quem sabe então substituir a ilusão da “brasileiridade alegre e brejeira” que valida mitos e estereótipos, pela descoberta de uma identidade  própria e real.


          O Brasil ainda não se curou do trauma de seu nascimento. Ainda quer extrair; consumir; se proteger e atacar, quer “se dar bem” e negar quem é. Vem da mistura da senzala e age com a arrogância do Senhor de Engenho. É possível que com o despertar de desejos subjetivos possa surgir uma nação com mais autoestima, menos corrupta e, portanto, menos violenta. 

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